No semiárido baiano, onde os desafios históricos de acesso ao saneamento básico ainda impactam diretamente a qualidade de vida das populações rurais, o Projeto Salitre avança com novas ações voltadas à transformação dessa realidade. Nesta semana, uma equipe técnica da Secretaria do Meio Ambiente (Sema) iniciou visitas a comunidades da bacia do Rio Salitre para identificar localidades aptas a receber módulos de sanitários secos sustentáveis.
A ação consiste em um diagnóstico social, ambiental e técnico preliminar que vai subsidiar a seleção de comunidades em situação mais crítica de saneamento, por meio do diálogo direto com moradores e lideranças locais. A agenda de campo percorre, ao longo de dois dias, áreas onde ainda há ausência de banheiros nas residências e condições precárias de esgotamento sanitário.
Engenheiro ambiental e sanitarista da Sema, Henrique Hortélio, afirma que o momento de escuta é fundamental para compreender a realidade das comunidades e garantir que as soluções propostas estejam alinhadas às necessidades locais. “Mais do que levar uma tecnologia, estamos construindo esse processo junto com as pessoas, respeitando o contexto de cada território”, salientou.
A iniciativa integra um convênio firmado entre a Secretaria do Meio Ambiente da Bahia e o Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR), no âmbito das ações de revitalização da bacia do Rio Salitre, e já conta com recursos assegurados para sua execução. Durante as visitas, a equipe, com o apoio de parceiros locais na mobilização comunitária e na identificação dos possíveis beneficiários, realiza um levantamento detalhado das condições locais, considerando aspectos sociais, conjunturais e técnicos.
“O intuito da visita técnica é realizar um pré-diagnóstico dos possíveis beneficiários, identificando pessoas em condições sanitárias precárias. Esse levantamento também contribui para a melhoria da qualidade da água na bacia do Rio Salitre. Já visitamos áreas com grande carência nesse aspecto, o que reforça a importância de priorizar quem mais precisa neste momento”, explica a economista e coordenadora da Sema, Luciana Santa Rita, que também compõe a equipe de campo.
Mais do que ampliar o acesso ao saneamento, a proposta reforça uma abordagem integrada de revitalização de bacias hidrográficas. Além das ações ambientais, como recomposição da vegetação e restauração produtiva, o programa incorpora o saneamento rural como eixo estratégico para a melhoria da qualidade ambiental e das condições de vida das populações locais.
“A partir das primeiras visitas, já foi possível identificar comunidades com potencial para integrar a etapa inicial de implantação, que deve começar nos próximos 30 dias, por meio de convênio com a Fundação Luís Eduardo Magalhães”, aponta Luciana. Ao todo, quatro localidades foram visitadas neste primeiro momento, indicando caminhos concretos para o início das intervenções.
A expectativa é que o trabalho de campo continue nos próximos dias, ampliando o mapeamento das áreas mais vulneráveis da bacia do Rio Salitre. O objetivo é garantir que a implantação dos sanitários sustentáveis priorize as comunidades com maiores necessidades, fortalecendo as estratégias de revitalização e a qualidade de vida na região.
Fonte: Ascom/Sema